Naquela noite quase não dormiu, estava ansiosa em conhecer seu mestre. Como todo amante do piano, já ouvira falar em Monsieur Rian, comentavam que era um tanto esquisito, nunca se casara nem era visto freqüentando mulheres de espécie alguma. Bem todo gênio era mesmo um pouco excêntrico, com ele não seria diferente.
Laura foi despertada por Marrie, sua criada de quarto desde que ambas eram meninas. Marrie tinha a pele corada, cabelos negros, corpo farto que o espartilho mal continha. Era a volúpia e vivacidade em pessoa, totalmente o contrario de Laura. Marrie era alegre, seus olhos, seu corpo, cada fibra do seu corpo estava sempre sorrindo. Mais que uma criada, Marrie era a amiga e irmã que Laura não tivera.
_ Vamos Laura, acorde! Não quer receber seu professor com cara de travesseiros não é?
_Oh! Me deixe, Marrie. Isso tudo é uma loucura, papai irá me impedir de ter aulas assim que surja um pretendente, melhor nem começar com isso.
Laura tinha lagrimas nos olhos.
_Laurinha, deixe de ser tola, aproveite o que tem agora, não pense no futuro, nunca saberemos o que esta por acontecer. Vamos, escolha um vestido, ponha-se bonita, vamos receber Monsiuer Rian!
_Ah, bonita! Só você mesmo Marrie, nunca serei bonita, nem com todos os vestidos e jóias e perfumes do mundo.
_Você também não ajuda não é Laura? Parece que quer se esconder. Sabe, as vezes desconfio que você faz de propósito, para que nenhum pretendente apareça...
_Ora, cale-se Marrie.
Laura fingiu-se de zangada, atirando travesseiros à Marrie.
Vestiu-se com um certo esmero, de repente sentia vontade de melhorar a aparência, escolheu um vestido em tons verdes, colocou brincos pequenos de esmeraldas e Marrie arrumou-lhe aos cabelos em uma graciosa trança.
_Espere!
Gritou Marrie quando ela já se preparava para descer.
_Você não tem jeito Laura.
Disse-lhe enquanto colocava gotas de perfume entre seus seios e apertava-lhe as bochechas.
_Pare com isso Marrie, não vou a um baile.
_Mas também não precisa parecer uma doente moribunda não é? Vamos, morda os lábios, assim, mais um pouco. Hum, agora sim.
Os pais haviam saído cedo, para uma festa numa casa de campo de amigos, precisavam sair cedo pois as estradas eram horríveis.
Laura parou no meio da escada, lá estava ele de costas, admirando um quadro na parede. Era bastante alto e forte, presumiu ela pela largura das costas dele, havia tirado o casaco e o chapéu, os cabelos eram longos, negros e fartos, presos por um cordão de couro, as mãos cruzadas atrás das costas eram grandes, porem delicadas, sem nenhum anel, então ele realmente não era casado.
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