Marrie lhe entregava o décimo lenço, que em seguida Laura iria encharcar como os outros. Havia alguns dias que Laura não tinha noticias do seu amado e acabara de receber uma noticia bombástica, estava noiva, sem ao menos ter sido consultada.
_ E agora Marrie? O que eu faço?
_Laura, que problema você foi arranjar com esse pianista. Tem que se conformar, seu noivo é um homem rico, bem estabelecido, e a fará feliz.
_Noivo, nem me diga essa palavra, eu não tenho noivo algum. E ele tem a idade do meu pai!
_Mas isso é normal querida, homens maduros serão bons maridos.
_Eu não acredito que você esta me falando isso!
_Olha, na verdade nem eu. Estou tentando confortá-la, mas imagino que deva ser o mais próximo do inferno que se pode chegar casar-se com um velho asqueroso. Laura, posso estar fazendo a maior loucura da minha vida, isso pode me custar o emprego, essa casa onde moro, e se alguém descobrir, posso acabar na sarjeta. Mas acho que deve ir vê-lo, Monsiuer Rien, diga-lhe o que esta acontecendo, talvez ele faça algo e, se não fizer, saberá que fez o melhor casando-se com este homem que seus pais escolheram.
_Mas eu não sei onde ele...
Não chegou a concluir a frase e Marrie já lhe estendia um pedaço de papel que tirara do seio.
_Oh Marrie!
_Laura, eu não agüentaria vê-la nas mãos desse nojento.
_Você é muito mais que uma criada, sempre foi uma grande amiga.
_Ande, deve se apressar, seus pais foram ao aniversário de casamento dos Angelis, só voltam pela madrugada, se não resolverem dormir por lá. Afinal, logo cairá uma tempestade. Eu disse que você não estava bem, por isso nem lhe pediram que fosse. O endereço não é longe daqui, pode ir cavalo.
Laura vestiu seu traje de montaria, pegou a capa e chapéu e partiu, decidida a fazer o que fosse para ficar com seu homem, quase uma hora de cavalgada e chegou ao local descrito no papel que Marrie lhe entregara. Assustou-se no inicio, parecia uma cabana abandonada, não havia vizinhança, a chuva a pegou no caminho e ela estava encharcada, estava pronta a dar meia volta, julgando-se perdida e amedrontada, quando ouviu um inconfundível acorde de piano. O coração saltou-lhe pela boca, amarrou o cavalo e bateu de leve na porta, nada. Bateu mais forte para que o som do piano não abafasse o barulho, chovia cada vez mais. Laura agora esmurrava a porta, ele precisava ouvi-la.
_Mas que diabos é isso?
Praguejou ele ao abrir finalmente a porta.
_Laura? Mas o que...
Ficara em choque quando ela levantou a capa.
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