quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tórridos Acordes - parte IV

_Precisa apenas de um pouco de técnica, mas vê-se que nasceu para o piano senhorita.
Ele fazia um esforço para desviar o olhar da boca e de sorriso de Laura.
Assim passaram-se algumas semanas, eles já não conseguiam disfarçar o interesse mutuo que nutriam um pelo outro. Laura aguardava cada vez mais ansiosa os dois encontros semanais, e para Rian, era cada vez mais difícil ficar perto dela sem tomá-la nos braços, ondas de desejo percorriam seu corpo cada vez que seus dedos tocavam os dela sobre o teclado, ou que ele se inclinava sobre ela, por trás, para ensinar-lhe uma nota. Marrie, que deveria fazer-lhes companhia, já percebera e sempre arranjava algo para fazer durante as aulas, aparecendo na sala de musica apenas para indicar que o horário havia encerrado, ou que os pais de Laura se aproximavam.
Certa manhã, Laura confessou a Marrie que estava apaixonada pelo professor.
_Me ajude Marrie!, me ajude ficar bonita. Ele nunca vai reparar em mim, eu sei. Oh! Ele é tão bonito.
_Calma Laura, vou ajudá-la, para começar, pare de usar esses vestidos de viúva.
Naquele dia Laura escolheu um vestido de verão que nunca usara, era sem mangas, com um decote que ela considerava um tanto indecente, mas como seus seios eram pequenos, não ficaria tão escandaloso, fora presente se uma tia, que costumava ir a Paris, só para comprar seu toillete.
Sentiu-se realmente mais bonita e incrivelmente desinibida.
Encontrou-o ao piano.
_Esta atrasada senhorita. Disse sem tirar os olhos do piano. Sente–se aqui, tocaremos a quatro mãos hoje.
Quando ela se aproximou ele não pode evitar o olhar de surpresa e embaraços, céus! Ela estava linda! Começou arrepender-se daquela idéia, mas ela já estava ao seu lado.
_Bom, gaguejou ele, vamos executar essa peça, preciso ver como anda sua habilidade, estará pronta se conseguir me acompanhar.
_Como?
_Meu trabalho aqui acabou senhorita, não precisa mais do mim, é uma ótima pianista.
Tentou disfarçar a angustia que aquilo lhe causava, mas era melhor assim, ele não podia se envolver, não podia envolvê-la.
_Então Monsieur Rian, disse Laura tomada de súbita coragem, sentando-se ao seu lado, olhando no fundo seus olhos cor de mar em ressaca, eu errarei todas as notas.
Ele não resistiu aos olhos úmidos dela, passou um dedo pelo seu rosto, interceptando a lágrima teimosa que lhe rolava pela face. Ela cerrou os olhos enquanto sentia a caricia terna. Ele não resistiu mais, aqueles lábios entreabertos eram o mais doce convite que já recebera. Encostou seus lábios nos dela, sentindo a maciez e o calor de sua boca misturado às lagrimas, sentiu que ela estremecera, de repente tensa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário